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terça-feira, 4 de março de 2008

as 99 coisas que deixamos de lado

Um viajante caminhava só, pelas colinas, quando foi atraído pelo som alegre de uma flauta. Seguiu-o até encontrar o rapaz que dela extraía a melodia.
- Quem és tu? e o que fazes?
- Sou um pastor. Vivo aqui, e cuido de minhas cem ovelhas, eu as guio e lhes dou água e comida. Elas me dão sua lã. Sou feliz por isso.
E o caminhante seguiu sua viagem...
Tempos depois, ao retornar, encontrou o pastor sentado novamente nas colinas, mas ele não tocava sua flauta. Foi até ele e o encontrou com um semblante de grande tristeza.
- Que houve? Onde está a alegre melodia que tocavas?
- Estou triste pois uma de minhas ovelhas se perdeu. Procurei-a por todos os lugares, mas não a encontrei. Tenho outras 99, mas não posso ser feliz, pois amo aquela que está perdida.
Então o viajante pediu-lhe que esperasse.
Horas depois regressou trazendo a ovelha em seus braços.
Os olhos do pastor se encheram de júbilo, o seu semblante alumiou-se, seus lábios trêmulos mal podiam expressar sua gratidão. Ele foi até sua ovelha e a abraçou diversas vezes. Amou-a mais do que todas as outras. E a alegre melodia de sua flauta voltou a ser ouvida nas colinas.

O pastor somos nós todos. Amamos aquilo que perdemos.

Por isso de se dizer que a rotina cega, aprisiona. A presença de uma coisa todos os dias nos deixa acostumados, nos impede de ver o quanto amamos.

Então... você vai esperar...
...ficar doente para apreciar o corpo saudável que possui e usá-lo a favor? A velhice para se lamentar ter desperdiçado a juventude? Um amigo se mudar para perceber o quanto apreciava sua companhia? Perder os movimentos para se lembrar da felicidade que pode existir em um passeio, a pé?
Vai esperar um só segundo para dizer a alguém que o ama? Deve ser muito triste conversar com um caixão. Não deixe nada por dizer, será mais suportável assim.
O único momento que temos para amar é este. Tem uma oportunidade de ouro nas mãos, então a aproveite. Isto é algo que não se pode deixar para depois. É você mesmo quem tem que fazer, e é bom que seja feito agora.

Se esperou até este dia... não espere mais...
Mãos à obra...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Conte seus dias

Naquele dia, fui ao trabalho e fiquei em casa, depois... dormi, li, telefonei, me comuniquei com o mundo, mandei scrap, toquei violão, várias vezes, fiz um chá, conversei.
De noite uma amiga me perguntou o que tinha feito, eu já ia dizer, mecanicamente, "nada"...
Mas parei para pensar um minuto, mudou minha idéia, minha concepção de nada. Minha concepção de fazer. Por isso tento estimular à feitura de um diário: no fim do dia quando você escreve descobre que fez mais coisa do que pensava. Ou, se não fez, você se sente preguiçoso por não ter o que escrever. Aí é melhor ainda, pois você se educa a ser mais observador, reparar no dia, em tudo que acontece, dar o mesmo valor às pequenas coisas e aos grandes milagres.
A única verdade é que realmente não sabemos se vai existir amanhã, pode mesmo ser hoje o último dia, então, não há tempo a perder com estados de espírito improdutivos, infantis.
Na bíblia eu lia sempre e não entendia: "ensina-nos a contar nossos dias", agora acho que já sei.
"Contar" não como números , um amontoado de dias iguais, uns sobre os outros...
"Contar" como quem conta uma história...
Fazer de seu dia um poema.
E se diz que, assim, alcançaremos um coração sábio.

Não sei de onde vêm as palavras. Às vezes, quando estou escrevendo ou falando, sinto como se eu não fosse dono delas.
Como se eu fosse uma estrada e elas viessem e passassem, não sei de onde vêm, nem para onde vão. Na minha mente elas soam como se fosse um eco, algo dito há muitos, muitos anos atrás, muitos mesmo, nossos ancestrais, em volta de uma fogueira, ou quem sabe antes, Deus?
Nós quando nos deixamos levar pela pressa, essa coisa moderna, de fazer mil coisas ao mesmo tempo, trabalhar igual uns doidos, sempre competindo, correndo, quando fazemos isso estamos caindo em uma armadilha que só um animal muito inexperiente cairia.
O que faz do caçador um caçador, e da caça a caça - a caça tem uma rotina.
Eu não serei caçado!
Se depender de mim, faço tudo ao contrário...
Desacelerar...
Tornar simples...
Forno a lenha, de barro...
Poço no quintal...
Plantas, muitas plantas...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Escrever

Blog, blogueiro. Termos modernos para algo que minha mãe décadas atrás já fazia, e o próprio Castaneda fez, naqueles desertos do México: escrever um diário. Ponto a favor da internet, que reavivou um dos hábitos mentais mais saudáveis que podemos cultivar.
Sentar-se e escrever... não é como lavar a louça, ou qualquer outra coisa que se faça mecanicamente. Embora tudo se possa fazer com coração, escrever é diferente. Para escrever não há limites. Há... condições.
É preciso sair do piloto automático. Testar outros vôos, novas direções. Abandonar a linha reta. Xeretar, descobrir. Exprimir. Espreitar.
Com a prática vem a necessidade de exercitar qualidades fundamentais à escrita. A observação e a memória. E essas virtudes irão beneficiá-lo em todas as outras áreas da sua vida.
Ao tentar relatar o que lhe ocorreu durante o dia, você terá uma surpresa ao perceber quanta coisa aconteceu ao seu redor.

Agora, se nem ao espremer sua memória você conseguir extrair algo que tenha feito, nenhuma ação, nenhum pensamento que conte, que tenha valido as horas vividas, então escrever um diário o ajudará a perceber o quanto precisa espantar a preguiça, rabiscar algo no seu dia. Não deixe em branco nenhuma página de sua passagem pela Terra.
Você tem uma vida, ela lhe foi confiada, como um tesouro, rara, curta como a leitura de um livro, pode durar mais, ou menos, mas o seu fim está ali, você sabe que ele chegará um dia. Não deixe nenhuma página em branco.

Aproveite cada segundo.
Observe os segundos que passam... Se olhar bem poderá vê-los, são como uma névoa rarefeita que se esvai, gotas d'água que correm no leito de um rio, e não voltam, jamais...