Mãos em concha para receber
Os poetas, sacerdotes, terapeutas
todos eles ralam para ensinar
o homem a lidar com suas perdas.
Mas temos a mesma, ou mais, dificuldade
em lidar com aquilo que nós recebemos.
Por isso pratiquemos shivamudrá.
Abra em concha suas mãos, uma sobre a outra,
pousadas em seu colo.
Faça silêncio.
Se puder ouvir, ou entoar, um mantra, ótimo.
Você fora da sua mente, olhando...
Saia da mente...
Descubra outros centros de seu corpo,
passeie sua consciência por ele.
Vá pelos braços atá as mãos.
As mãos abertas...
mãos de uma criança esperando pelo seu presente.
Tudo que recebe
são presentes.
Quando eu vejo como dádiva aquilo que recebi da vida
naturalmente cuido desse bem com todo amor.
Pouco importa se é o couro esticado de um pandeiro
as cordas de um violão bem afinado
a louça a lavar
a lâmina de barba
o corpo de uma mulher.
Há uma linha entre o zelo e o apego.
A diferença está em se ter consciência da
precariedade das coisas.
Como são passageiras, acabam tão rápido!
Hoje retinem no espaço
com o som de taças brindando, festa e luz.
Depois de um segundo
caem e rebentam com um ruído seco.
Por isso zelar, e não se apegar.
O zelo existe enquanto a coisa existe
e carece de cuidado e atenção.
O apego faz-nos remoer a ausência de tudo
até do que nunca existiu.
Tudo se acaba
se dissolve
eu
você
violão
Fixe-se naquilo que não pode pegar com suas mãos.
Energizar o chacra amarelo quase sempre
me leva a visualizar
um deserto, na meditação.
As areias...
os desenhos mudam a toda hora...
isso é a verdade da impermanência...
do seco estalar das breves ilusões...
Ooommmmmmmmm
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sexta-feira, 25 de julho de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
O búfalo
Acordei sentindo uma incrível disposição em todos os músculos que tenho, incluindo o coração. Mesmo sentado ao computador, sinto meu corpo em uma postura firme, e ao mesmo tempo relaxada. A facilidade e a profundidade com que respiro enchendo de ar meus pulmões me dá uma sensação não-comum de plena consciência corporal. Percebo que o corpo tem uma inteligência própria.
Inteligência e vontade próprias, pois nós não conseguimos, por exemplo, controlar o fluxo de nossas veias com a simples intenção, a não ser que, levando à prática esse intento, nos pusermos física e mentalmente em harmonia com essa energia.
É uma inteligência instintiva essa do corpo, como a força animal que possuísmos. Não à toa o Yôga antigo desenvolveu-se a partir da observação de movimentos dos animais.
Foi de Swásthya Yôga, o Yôga antigo, a aula que Mestre De Rose ministrou ontem, no Parque do Ibirapuera, em comemoração ao Dia do Yôga, não por acaso 18 de fevereiro, seu aniversário. De Rose é o nome mais bem sucedido no país e referência no exterior em ensino de Yôga.
Criticado por alguns por o acharem "marqueteiro" e lidar de modo "comercial" com o Yôga, sua competência é inegável em ensinar e difundir os ensinamentos.
Acontece que ele possui além do talento para Yôga um outro para marqueting pessoal e empreendedorismo, mas isso ele também ensina. O Yôga é uma disciplina física, mental e espiritual que tem por fim despertar virtudes no homem. Você é quem escolhe as suas, a lista é muito, muito grande.
Esqueça o que se diz, experimente praticar. Dê o primeiro passo, os outros vêm como resposta.
Junto com a sensação de consciência e controle corporal me lembrei de uma peça, recém assistida, no teatro do Sesc Consolação. No meio do monólogo, a velha se toma dessa dessa força animal, e berra que é um búfalo, "EU SOU SENHOR DO MEU CORPO"!
Quando entramos na sala, o palco era apenas o canto da sala, a velha já estava lá, eu primeiro achei que era um homem, com aquela cara fechada... foi-se resignando enquanto todos nos acomodamos, deixando por fim um silêncio que a fez falar, contar sua histórias, e outras, de outros mundos, da sua loucura, do búfalo e do porco-menino, nos fazer chorar de rir e chorar de chorar...
(Depois que começou a falar, vi que era mulher mesmo, uma velha.)
...até que a última lâmpada se apagasse.
Depois dos muitos aplausos a luz se acendeu e então a velha não era velha! Uma jovem, bela atriz Susan Damasceno. O que me estranhou foi que nada ela tirara do rosto, a não ser a máscara invisível que a fizera velha...
Com que talento e com que magia ela fez, sem palco e sem nada, verdadeiro teatro...
...ainda ouço os aplausos...
Peça - A Obscena Senhora "D" - texto de
Hilda Hilst, escritora paulista (1930-2004) - Direção
Donizete Mazonas e Rosi Campos
Inteligência e vontade próprias, pois nós não conseguimos, por exemplo, controlar o fluxo de nossas veias com a simples intenção, a não ser que, levando à prática esse intento, nos pusermos física e mentalmente em harmonia com essa energia.
É uma inteligência instintiva essa do corpo, como a força animal que possuísmos. Não à toa o Yôga antigo desenvolveu-se a partir da observação de movimentos dos animais.
Foi de Swásthya Yôga, o Yôga antigo, a aula que Mestre De Rose ministrou ontem, no Parque do Ibirapuera, em comemoração ao Dia do Yôga, não por acaso 18 de fevereiro, seu aniversário. De Rose é o nome mais bem sucedido no país e referência no exterior em ensino de Yôga.

Criticado por alguns por o acharem "marqueteiro" e lidar de modo "comercial" com o Yôga, sua competência é inegável em ensinar e difundir os ensinamentos.
Acontece que ele possui além do talento para Yôga um outro para marqueting pessoal e empreendedorismo, mas isso ele também ensina. O Yôga é uma disciplina física, mental e espiritual que tem por fim despertar virtudes no homem. Você é quem escolhe as suas, a lista é muito, muito grande.
Esqueça o que se diz, experimente praticar. Dê o primeiro passo, os outros vêm como resposta.
* * *
Junto com a sensação de consciência e controle corporal me lembrei de uma peça, recém assistida, no teatro do Sesc Consolação. No meio do monólogo, a velha se toma dessa dessa força animal, e berra que é um búfalo, "EU SOU SENHOR DO MEU CORPO"!
Quando entramos na sala, o palco era apenas o canto da sala, a velha já estava lá, eu primeiro achei que era um homem, com aquela cara fechada... foi-se resignando enquanto todos nos acomodamos, deixando por fim um silêncio que a fez falar, contar sua histórias, e outras, de outros mundos, da sua loucura, do búfalo e do porco-menino, nos fazer chorar de rir e chorar de chorar...
(Depois que começou a falar, vi que era mulher mesmo, uma velha.)
...até que a última lâmpada se apagasse.
Depois dos muitos aplausos a luz se acendeu e então a velha não era velha! Uma jovem, bela atriz Susan Damasceno. O que me estranhou foi que nada ela tirara do rosto, a não ser a máscara invisível que a fizera velha...
Com que talento e com que magia ela fez, sem palco e sem nada, verdadeiro teatro...
...ainda ouço os aplausos...
Peça - A Obscena Senhora "D" - texto de
Hilda Hilst, escritora paulista (1930-2004) - Direção
Donizete Mazonas e Rosi Campos
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