Meu filho foi viajar
Foi por sobre as águas do mar
E eu fiquei perdida, chorando
Navio navegando
Não vai mais voltar
Esse barco malvado
Leva todos prisioneiros
Ele é um navio negreiro
Homens livres estão
Nas galés
Meu querido filho
Não deixe a raiva o matar
Semeia nesse país distante
Os frutos constantes
De seu ideal
Ensina esse povo a dançar
Para espantar todo mal
Com cantigas ninar as crianças
Jogar capoeira
Tocar berimbau
quinta-feira, 5 de junho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Melhor do que o vinho
Sábio é o que distingue entre o importante e o não importante. Todas as respostas são imperfeitas, e há respostas para tudo. O que faz diferença é o que se pergunta. Uma flor pode lhe revelar os seus segredos, mas apenas se você souber o que está procurando.
Assim, a sabedoria está muito mais ligada a conteúdos afetivos do que a quantidade de informações. Do que você gosta? O que busca?
Que veio neste campo da sabedoria colher? Que espera, assombrado ante o oráculo da natureza? Que quer encontrar, viajante?
São suas escolhas que vão ou não torná-lo sábio. Você pode ler os mesmos livros que leu Nietzsche, ou Da Vinci, e nada aprender. Ou pode abrir um único livro, e extrair-lhe o sumo com mãos hábeis, ou apenas sentar-se e olhar ao horizonte, e lá avistar a estrela oriental, e dela o brilho que trace caminhos.
Aprenda com aqueles que escavam a terra, pergunte ao que sai lá de dentro.
Sabedoria tem a ver com afeição. Amo as palavras, são minha terra, de onde tiro meu sustento, meu consolo e os desafios sem os quais eu não poderia viver, ou viveria sem pensar, sem ver, sem escrever, sem ser livre. Amo os alimentos, que me ensinam o significado de saber, enquanto me nutrem.
Sonho um dia em comer as palavras. Beber sabedoria. Ser criança.
Saúde!
Assim, a sabedoria está muito mais ligada a conteúdos afetivos do que a quantidade de informações. Do que você gosta? O que busca?
Que veio neste campo da sabedoria colher? Que espera, assombrado ante o oráculo da natureza? Que quer encontrar, viajante?
São suas escolhas que vão ou não torná-lo sábio. Você pode ler os mesmos livros que leu Nietzsche, ou Da Vinci, e nada aprender. Ou pode abrir um único livro, e extrair-lhe o sumo com mãos hábeis, ou apenas sentar-se e olhar ao horizonte, e lá avistar a estrela oriental, e dela o brilho que trace caminhos.
Aprenda com aqueles que escavam a terra, pergunte ao que sai lá de dentro.
Sabedoria tem a ver com afeição. Amo as palavras, são minha terra, de onde tiro meu sustento, meu consolo e os desafios sem os quais eu não poderia viver, ou viveria sem pensar, sem ver, sem escrever, sem ser livre. Amo os alimentos, que me ensinam o significado de saber, enquanto me nutrem.
Sonho um dia em comer as palavras. Beber sabedoria. Ser criança.
Saúde!
domingo, 25 de maio de 2008
A propósito
Sonho... sonho, por que tão depressase desfaz no tempo, vai-se embora
e como orvalho fino se evapora
tão logo a escuridão da noite cessa?
quinta-feira, 22 de maio de 2008
A roda
Quantos lados tem uma roda? Roda tem lados?
Sim, dois. O lado de dentro. O lado de fora.
Em roda neste mundo nós estamos.
Penso numa ciranda. Ciranda... quem me deu... foi Lia.
Virados pro lado de dentro. De costas pro lado de fora.
Dentro da roda estão as coisas que podemos ver, tocar, estudar, inquirir. As coisas que sabemos pelos sentidos comuns.
Fora estão aquelas que não conhecemos, diretamente. As que sussurram aos nossos ouvidos, as que sopram em nossos pescoços, a brisa misteriosa, o calor que não se apresenta, o perfume que apenas imaginamos de onde veio.
Muita coisa do lado de dentro. Muito mais do lado de fora. Há quem tente virar-se pra ver, mas soltam-se as mãos, perde-se o contato, e quem vai não volta pra contar.
Quero é estar firme em meu posto. Elo forte no anel de meus parceiros mortais. De onde estou eu vejo meu oposto, na roda. Posso ver o que há atrás dele, suas sombras, perigos e mistérios que o envolvem. Também os tesouros. Ele pode ver o que há atrás de mim.
Mas estamos longe. Minha voz não pode alcançar os seus ouvidos. Nem a dele os meus.
É preciso fazer a mensagem rodar, e estou descobrindo, ainda, como.
Fecho os olhos. Na roda e em contato. O universo inteiro. A linguagem dos círculos. As esferas celestiais.
Sinto a terra debaixo de meus pés descalços. O vento que sopra fazendo barulho ao redor. Em cima as nuvens querendo chover. Começo a sentir o calor. Nas palmas das mãos. Nelas percebo a quentura de meus vizinhos na roda.
Penso na palavra samba e, como quem guarda um grande segredo, sorrio.
Sim, dois. O lado de dentro. O lado de fora.
Em roda neste mundo nós estamos.
Penso numa ciranda. Ciranda... quem me deu... foi Lia.
Virados pro lado de dentro. De costas pro lado de fora.
Dentro da roda estão as coisas que podemos ver, tocar, estudar, inquirir. As coisas que sabemos pelos sentidos comuns.
Fora estão aquelas que não conhecemos, diretamente. As que sussurram aos nossos ouvidos, as que sopram em nossos pescoços, a brisa misteriosa, o calor que não se apresenta, o perfume que apenas imaginamos de onde veio.
Muita coisa do lado de dentro. Muito mais do lado de fora. Há quem tente virar-se pra ver, mas soltam-se as mãos, perde-se o contato, e quem vai não volta pra contar.
Quero é estar firme em meu posto. Elo forte no anel de meus parceiros mortais. De onde estou eu vejo meu oposto, na roda. Posso ver o que há atrás dele, suas sombras, perigos e mistérios que o envolvem. Também os tesouros. Ele pode ver o que há atrás de mim.
Mas estamos longe. Minha voz não pode alcançar os seus ouvidos. Nem a dele os meus.
É preciso fazer a mensagem rodar, e estou descobrindo, ainda, como.
Fecho os olhos. Na roda e em contato. O universo inteiro. A linguagem dos círculos. As esferas celestiais.
Sinto a terra debaixo de meus pés descalços. O vento que sopra fazendo barulho ao redor. Em cima as nuvens querendo chover. Começo a sentir o calor. Nas palmas das mãos. Nelas percebo a quentura de meus vizinhos na roda.
Penso na palavra samba e, como quem guarda um grande segredo, sorrio.
sábado, 17 de maio de 2008
Sangue bom
Sangue bom, você.
Sangue bom seu irmão, sua irmã, seu pai, mãe, suas tias, seus amigos. Eu, também. Todo mundo.
Todo sangue é bom; se não, não pediriam tanto pra doar.
Os tipos de sangue são A, B, AB e O e podem ser positivo ou negativo, portanto oito tipos sanguíneos, assim como os oito tipos psicológicos de Jung. O sangue, vermelho, é Mercúrio, o mensageiro, ele é quem tudo carrega, de um ponto a outro no corpo, tanto os nutrientes quanto o veneno. Corrente sanguínea... tudo ligado.
Cada tipo de sangue tem suas caraterísticas próprias, que intervêm na formação e na história da pessoa, influenciando no parto, nas doenças, nas curas, na forma como processa os alimentos - e o que é melhor comer, em sua personalidade, tanto quanto, também, na história da humanidade.
Acredito, com reservas... e o tipo A, do meu sangue, ser o sangue dos advogados, escritores e dos indecisos são apenas três coincidências sequenciais, é como jogar o dado três vezes e sair sempre número par. Não é tão difícil.
De qualquer forma, recomendo que saiba qual é seu tipo sanguíneo, porque pode precisar, numa emergência. Melhor se deixar escrito junto com seus documentos, talvez você esteja desacordado. Espero que nada disso aconteça, mas é bom estar preparado.
Bom mesmo, nessa hora, é ter o sangue AB, que pode receber transfusão de qualquer tipo. Assim, nem precisa lembrar qual é o seu, basta erguer o indicador e, mesmo balbuciante, pedir: Completa!
Se puder, doe sangue.
O site da ABMC - Associação Brasileira de Medicina Complementar tem informações úteis e outras curiosas a respeito:
http://www.medicinacomplementar.com.br/estrategia_nutrologia_dietagruposang.asp
Sangue bom seu irmão, sua irmã, seu pai, mãe, suas tias, seus amigos. Eu, também. Todo mundo.
Todo sangue é bom; se não, não pediriam tanto pra doar.
Os tipos de sangue são A, B, AB e O e podem ser positivo ou negativo, portanto oito tipos sanguíneos, assim como os oito tipos psicológicos de Jung. O sangue, vermelho, é Mercúrio, o mensageiro, ele é quem tudo carrega, de um ponto a outro no corpo, tanto os nutrientes quanto o veneno. Corrente sanguínea... tudo ligado.
Cada tipo de sangue tem suas caraterísticas próprias, que intervêm na formação e na história da pessoa, influenciando no parto, nas doenças, nas curas, na forma como processa os alimentos - e o que é melhor comer, em sua personalidade, tanto quanto, também, na história da humanidade.
Acredito, com reservas... e o tipo A, do meu sangue, ser o sangue dos advogados, escritores e dos indecisos são apenas três coincidências sequenciais, é como jogar o dado três vezes e sair sempre número par. Não é tão difícil.
De qualquer forma, recomendo que saiba qual é seu tipo sanguíneo, porque pode precisar, numa emergência. Melhor se deixar escrito junto com seus documentos, talvez você esteja desacordado. Espero que nada disso aconteça, mas é bom estar preparado.
Bom mesmo, nessa hora, é ter o sangue AB, que pode receber transfusão de qualquer tipo. Assim, nem precisa lembrar qual é o seu, basta erguer o indicador e, mesmo balbuciante, pedir: Completa!
Se puder, doe sangue.
O site da ABMC - Associação Brasileira de Medicina Complementar tem informações úteis e outras curiosas a respeito:
http://www.medicinacomplementar.com.br/estrategia_nutrologia_dietagruposang.asp
terça-feira, 13 de maio de 2008
Perguntar não ofende
Sou um questófilo, ou outro termo latino, grego, sei lá, que o valha. Sou apaixonado por perguntas. Faço coleção. Tem aí alguma pra trocar? Acho bonito, grave, o ponto de interrogação, aquela linha curva aberta, disposta a buscar nos confins de onde for a resposta, seja qual resposta for. Respostas pouco me interessam. Tens muitas respostas? Azar o seu. Feliz o que mora num harém de perguntas.
Seja um também! Apaixone-se pelas perguntas, dê uma chance a elas. Perguntas curiosas... perguntas geniais que façam mover a sua mente. Pergunte às pessoas. Às coisas. Pergunte a si mesmo.
Dê respostas, mas não se apegue a elas. Treine isso fazendo-se perguntas iguais, todos os dias. Faça as iguais, depois faça outras diferentes, com base nas respostas. Isso é diálogo a um, é como jogar xadrez com um espelho, com o espaço infinito de fundo.
E se fosse eu? Quem sou eu? Onde é meu lar? O sentido da vida, onde mora? Dei o melhor de mim hoje? O que eu pergunto agora? O que perguntei antes?
Procure responder a essas e outras perguntas aparentemente tão simples... irá se surpreender ao ver que as respostas mudam, você muda e a morada das coisas que não têm morada mudam rapidamente de lugar.
Apaixone-se por descobrir, desvendar, desvelar, conhecer. Esses e outros mistérios estão dentros daquela barriga de ponta-cabeça oca.
Pergunte às plantas.
Seja um também! Apaixone-se pelas perguntas, dê uma chance a elas. Perguntas curiosas... perguntas geniais que façam mover a sua mente. Pergunte às pessoas. Às coisas. Pergunte a si mesmo.
Dê respostas, mas não se apegue a elas. Treine isso fazendo-se perguntas iguais, todos os dias. Faça as iguais, depois faça outras diferentes, com base nas respostas. Isso é diálogo a um, é como jogar xadrez com um espelho, com o espaço infinito de fundo.
E se fosse eu? Quem sou eu? Onde é meu lar? O sentido da vida, onde mora? Dei o melhor de mim hoje? O que eu pergunto agora? O que perguntei antes?
Procure responder a essas e outras perguntas aparentemente tão simples... irá se surpreender ao ver que as respostas mudam, você muda e a morada das coisas que não têm morada mudam rapidamente de lugar.
Apaixone-se por descobrir, desvendar, desvelar, conhecer. Esses e outros mistérios estão dentros daquela barriga de ponta-cabeça oca.
Pergunte às plantas.
...
Alguma coisa te falta. Converse consigo mesmo. Pergunte-se. Convide-se. Mostre-se. Deixe-se dizer o que lhe faz feliz. E, por favor, ouça as respostas.
No silêncio, na tristeza, nos sonhos, nos atos falhos, nas coisas estranhas. Sim, dê mais atenção a tudo de anormal, incômodo ou esquisito que acontece em sua vida.
Tem a chave nas mãos.
Talvez seja o seu primeiro encontro consigo mesmo, por isso seja gentil.
No silêncio, na tristeza, nos sonhos, nos atos falhos, nas coisas estranhas. Sim, dê mais atenção a tudo de anormal, incômodo ou esquisito que acontece em sua vida.
Tem a chave nas mãos.
Talvez seja o seu primeiro encontro consigo mesmo, por isso seja gentil.
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